noite de reis

noite de reis e vinte e cinco coroas em uma mão. atenção, hoje coroar-se-ão a metade de cinquenta cidadãos. corram pelas ruas, invadam os bares da cidade-baixa; vasculhem táxis, ubers, ônibus, lotações, helicópteros, umbigos e aviões; espalhem a notícia de que uma nova governança será instaurada para reger as maiores províncias do sul do nosso pr omissor país. hoje é mais um dia a se comemorar: quantos não gostariam de estar lá? são vinte e cinco tronos forrados a seda e a ouro, babados a babas de negro e cobertos de pó de coca, e das melhores. vamos! avisem aos desavisados, loucos e depravados que as inscrições estarão abertas a partir das seis, horário dos reis, que é quando trabalham, que é quando deixam de trabalhar, que é quando serão coroados. mexam essas bundas, lustrem as nossas tão bem representativas próximas, serão elas, bundas que nos guiarão, de nádegas, a um novo futuro, próspero; amarrem as faixas de ESTES-SÃO-ESTES-SERÃO-OH-QUE-REAL-BUNDÃO entre os postes das ruas mais vistas, mais sujas, do município, é lá que governarão, de cima, de nuca pro chão, mirando alto, sempre avante, mas antes: LEVANTEM, AÍ VÊM OS CANDIDATOS, sintam-se à vontade, sentem-se à vontade. bem-vindas sejam nossas presidenciáveis bundas reais. hoje às seis da tarde as vinte e cinco coroas saem de uma mão, e em cima delas, vinte e cinco bundas sentarão.