encontre num emaranhado de páginas perto
uma palavra que defina seu espírito
porta
sinta vibrar em seu intestino
a ânsia, o mal de não estar
bem, busque na palma da mão as linhas
o traço que define a curva
pegue a primeira saída à esquerda
porta
um gato exala os vapores da tua
fossa
entre de mansinho no escurinho de outras
saias
coce as pegadas de um recém pisado
assuma a venda do corredor de cigarros
não fume o vermelho
venda mais barato
as damas de branco procuram o preto
as de preto, o branco e jantam
saia da caixa de sapatos que contém botas
o mundo é maior que o teu parto
sinta o gosto do sêmen na ponta dos dedos
chega de tabelinha
mergulhe no desespero
atrase o voo das gotas de chuva
cante serenatas olhando de cima
socando o de baixo
arrede as cadeiras da sala de jaula
pinte um tapete vermelho de preto
existe um funeral ali perto
porta
palavras ainda boiam na superfície dos teus olhos
crave na unha a faca dos teus desejos
despeje a glória dos bezerros sobre as pernas
porta
haverá uma fogueira
dois litros e gramas de álcool
um último fósforo pra se desperdiçar
risque na língua
mas antes
espere secar