há luz naquela janela
tenho tempo
busco no bolso a chave
celular cartão carteira de motorista moeda porra chave
isso, chave
meto no troço, giro
bip de porta aberta, bato
segunda chave
qual é mesmo, abro
segunda porta
bip de porta aberta, bato
há luz naquela janela
térreo, me lembro
não há elevadores no prédio
escada, são sete andares
tenho tempo, caminho corro
passo de degrau duplo
primeiro andar
não conheço os vizinhos
pode ser que sejam bacanas
pode ser que estejam
escadas, passo duplo pulo
há luz naquela janela
quarto andar, vou rápido
vultos vidas escorrem por debaixo
das portas tapetes de boas vindas cheios de merda
de fora
quinto, sexto
passo corro pulo caminho duplo
é o sétimo, respiro
profundo, já tenho
desde o térreo
a chave certa na mão
na argola, o dedo
chave
meto no troço, giro
escuro
sempre escuro, entro
tateio o concreto nem tão frio
é a pintura, um metro
interruptor
acendo, tenho tempo
e mesmo assim
sendo
há luz naquela janela.